domingo, 18 de dezembro de 2016

RICOCHORO COMVIDA NA PRAÇA - Final da Segunda Temporada


Ontem se encerrou a segunda temporada do "Projeto RicoChoro ComVida", que em sua primeira versão aconteceu de forma encantadora entre as paredes mágicas do Bar e Restaurante Barulhinho Bom - Rua da Palma, no Centro de São Luís - desta vez "RicoChoro ComVida na Praça". A ideia, além de levar música boa e de qualidade ao maior número de pessoa possíveis e democratizar o acesso à cultura ao passo que divulga uma dos mais puros e genuínos gêneros musicais brasileiros, o Chorinho, é proporcionar encontros entre estilos e gêneros musicais, gerações de artistas, de ideias, de cultura, de pessoas!

Difundir o Choro como a principal música a dar uma identidade cultural brasileira tem sido a principal bandeira da vida de Ricarte Almeida Santos "sociólogo (UFMA, 1999), pós-graduado em Gestão Cultural (Faculdade São Luís, 2008) e aluno do mestrado em Cultura, Educação e Sociedade (UFMA, 2011). Membro fundador do Clube do Choro do Maranhão, secretário executivo da Cáritas Brasileira Regional Maranhão, vascaíno em tempo integral" como ele mesmo diz.
Ricarte é meu irmão número dois e eu sei (quase) tudo que ele enfrentou na vida para continuar com esta bandeira em riste, tremulando sob as brisas e as tempestades que vêm e vão - as vêm em forma de tsunamis. Mas, ele com o propósito bem maior que o de se importar apenas com o comodismo de seu bem-estar encara tudo com sobriedade, serenidade e uma bravura disfarçada por trás de uma aparente tranquilidade, acima de tudo! Tenho muito a aprender com ele. E olha que já aprendi muito. Sou fã absoluto!
Não tem sido fácil. Contudo, sua resistência, sua resiliência tem fortalecido não apenas a imagem do Choro (Chorinho) como gênero musical, mas tem fortalecido o gênero como tal. Tem atraído cada vez mais adeptos ao meio, quer seja como instrumentistas, cantores ou simplesmente admiradores.
São mais de 25 anos à frente do "Chorinhos & Chorões", programa que entra no ar todos sendo "o seu café instrumental" aos domingos das 9 as 10h da manhã na Rádio Universidade FM (106,9), são décadas de pesquisas, estudos, conversas, entrevistas e incontáveis horas de dedicação para fortalecer aquilo que conheceu como um gosto musical, digamos, hereditário.
A conclusão dessa temporada do "RicoChoro ComVida na Praça" tem uma gostosa sensação de vitória, de satisfação, de orgulho mesmo. Como já disse, muitas barreiras tem sido vencidas desde o início de seu trabalho na área. E 2016 surpreendeu a superação de todos os prognósticos (Só Jesus na causa!) Veja bem, tirar o chorinho de dentro das paredes dos bares e botecos (diga-se de passagem que já foi uma vitória espetacular levar mais essa opção de entretenimento para estes estabelecimentos) e levar às ruas foi mais que um passo, foi um salto! Levar gratuitamente uma estrutura de som e iluminação de qualidade, segurança e a comodidade de assistir sentado em 09 praças da capital maranhense em bairros em realidades sócio-econômicas bem distintas, pois foi do Centro ao Cohatrac, do Anjo da Guarda à Lagoa, passando pro Vinhais Velho e pelo "novo" Vinhais. Democrático e rompendo as barreirinhas, como faz parte da história do gênero desde lá atrás, com Chiquinha Gonzaga. Tudo isso com patrocínio da TVN, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão. E em breve tudo isso poderá ser visto em breve na TV UFMA.
Ricarte... parabéns pelo excelente trabalho feito até aqui. Parabéns por tua história e por cada pedra usada na construção dessa muralha musical até aqui. Parabéns pela equipe de guerreiros que conseguiu acompanhá-lo até o final da temporada de forma vitoriosa! Tô orgulhoso (e um pouco de inveja) de vocês! E que venha 2017! Já estou ansioso para por a mão na massa.

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sábado, 2 de julho de 2016

D'ANNE-SE EU AINDA NÃO DISSE TUDO QUE TENHO PRA DIZER

#DanneSe EU AINDA NÃO DISSE TUDO QUE TENHO PRA DIZER

Como alguns ser humano se mostram pequenos, mesquinhos e  individualistas. EGOÍSTAS!!! Durante muitos anos o concurso de Miss se mostrou desacreditado em todo o Brasil. No Maranhão não foi diferente. Porém, nos últimos anos o concurso tem se levantado da fase de ostracismo e mostrado que ainda tem muita vida pela frente. Aqui no Estado estamos engatinhando ainda. Embora em crescente adesão. 

Assim como as Misses nacionais, as Misses Maranhenses sempre fizeram bem seus papéis de embaixadora de beleza, elegância e trabalhos de apoios à causas assistenciais. Disso não podemos reclamar. Tivemos representantes muito boas. E nossas torcidas por elas sempre foram, na verdade, torcida de "família" tipo torcida do coração. O que nos três últimos anos tem sido diferente... Ingrid Gonçalves,  Isadora Amorim e, agora, Deise D'anne tem nos feito ter uma pontinha de esperança de termos o Maranhão (sempre tido como terra de gente feia) como representante da beleza nacional.

Uma coisa me chamou a atenção durante todo o processo do concurso desse ano. Desde que a jovem Deise D'anne foi anunciada como concorrente foi uma enxurrada de mensagens de apoio levantando uma frente de torcida e boas energias a essa menina negra de periferia (ela mora no bairro da Cohab). Uma movimentação nunca antes vista na história do certame das últimas décadas. 

A razão pra todo essa demonstração de carinho e torcida não se deu apenas pela beleza física da então candidata. O que fundamenta esse levante popular é a beleza da sua aura, da sua alma e da sua história. Deise é de origem pobre, nascida em hospital público, moradora, como já citado, do bairro da Cohab, de mãe que, segundo me informaram, que cozinha e fornece quentinha. É uma menina que desde muito cedo acredita em um sonho e corre atrás dele. Não espera cair do céu, não. Embora tenha muita fé, ela ajuda o milagre acontecer. Estuda, se capacita, se qualifica, trabalha dia e noite. Não foge de trabalho e tens os pés fincados no chão quando cobra seus honorários. E veste a camisa do trabalho assumido. Comprometida ao extremo. 

Assim como quase toda a cidade a conheço de eventos de negócios, ações promocionais, eventos de moda, beleza,  esportivos, programas de TV... Eu mesmo já a tive como componente de minhas equipes de trabalho algumas vezes. A última foi como recepcionista do concurso de Miss Maranhão Gay 2015. Ela foi brilhante! Competentíssima! Sem deixar de lado a simpatia e educação mostrou todo seu profissionalismo. É uma figura conhecida por seu trabalho. Alguns até pensam que tem mais idade por conta de tanto trabalho que tem no currículo. Há uns quatro anos foi destaque em um concurso nacional, Beleza na Comunidade, apresentando por Ana Hickman na TV Record.  

A vida da nossa representante nunca foi  fácil e bonito como o seu sorriso encantador. Os "Sins" nunca vieram com a facilidade dos "Nãos". Isso a fez ser tão guerreira como tem si mostrado. Nunca abaixou a cabeça. E os pontos negativos sempre foram trabalhados a medida que os foram sendo cada vez mais fortificados. 

Com o Miss Maranhão 2016 surgiu como uma grande oportunidade, talvez "A" oportunidade de sua vida. E toda sua bagagem e beleza inegável tenha lhe dado a certeza que estivesse pronta. Sentimento compartilhado por todos que acompanham seu trabalho e não tem ligação afetiva com nenhuma outra candidata.  Chegou o dia mais esperado por todos. Talvez mais pela torcida do que pela própria candidata. E, ao final da noite cheia de emoções, Deise D'anne fora coroada a Miss Maranhão 2016!!! Desculpem a repetição desse termo, mas é proposital (alguma pessoas precisam acostumar com a ideia pra digeri-la melhor).

Contudo, o que poderia ser um mar de rosas a partir de então, começou a ser um pouco espinhento. O que poderia ser um pedaço do Olímpo, mostrou um pedaço da arena onde a luta ainda te que continuar. Eis que por inveja, ou puro preconceito, surge uma falsa notícia que a eleita tenha fraudado documentação para diminuir a idade e consegue se candidatar ao posto. O que seria mais que fraude, seria crime. Quando um burburinho começa a crescer... Ela ressurge, apoiada por todos que a conhecem e pela organização do evento, a pequena desmascara a tentativa de manchar sua imagem ou de tirada da coroa. O regulamento foi cumprido e nenhum documento fora falsificado. As supostas provas apresentadas a um blogueiro, sim, eram falsas.

É triste saber que há pessoas capazes de tudo para prejudicar, atrapalhar e acabar com as outras. Mas, é maravilhoso sabe que Deus está do lado dos justos. 

O que custa às pessoas fazerem como Deise a cada "não" recebido? Parabeniza a quem recebeu o sim e vai trabalhar a razão do seu não. Isso é o jeito Deise D'anne de ser. Deixo esse conselho as pessoas não vitoriosas no Miss Maranhão 2016: A cada não recebido, D'anne-se!!!!  Analise, estude, exercite, refaça, ensaie, pratique, leia, pesquise, trabalhe. Isso é D'annar-se!!! Não tem jeito, a Miss é Negra sim! E quem não tiver satisfeito que espere o ano que vem e até lá, D'anne-se!




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quinta-feira, 26 de maio de 2016

Põe teu preconceito no armário que quero passar com meu amor



Estava nesses dias do final de semana às voltas com o tema “o enfrentamento ao tráfico de pessoas nas fronteiras Panamazônicas”, na cidade de Quito, Equador. A despeito do boicote proposto pela cantora gospel Ana Paula Valadão. Fiquei refletindo como o preconceito nosso, de cada dia, leva à cegueira e inverte a capacidade de mobilização de uma figura pública que, como essa, tem grande alcance nacional e que poderia usar esse potencial, por exemplo, para combater o abuso e a exploração sexual contra mulheres, crianças e adolescentes no país. Fiquei me perguntando qual foi a sua manifestação pública a respeito do artigo de Eliane Trindade , que desnuda a prostituição no Centro Político do país, envolvendo deputados e outras figuras da República.

Pelo visto para muitos, incluindo essa jovem cantora, a questão da orientação sexual está relacionada à “promiscuidade” e a uma vida desregrada e “despudorada”, especialmente quando se trata de homossexuais e transgêneros. Em minha vida tenho a oportunidade de conviver continuamente com pessoas homossexuais. Tenho irmão, cunhado, sobrinho, amigas, amigos que têm essa orientação sexual. Eu, meu esposo e nossas filhas (adolescentes) compartilhamos muitos momentos com essas pessoas, encontros celebrativos, passeios, partilhas, etc. Em nossas convivências essas pessoas refletem uma conduta de valores, respeito e têm uma etiqueta social invejável. São pessoas dignas, honestas, justas, comprometidas e lutadoras.

Enquanto isso outras crianças e adolescentes estão sendo exploradas sexualmente, nas mais variadas situações (prostituição infantil, pornografia infantil, turismo sexual e tráfico), por muitos senhores heterossexuais, que, em grande parte, são autoridades locais, estaduais etc.; vistos pela sociedade com respeito e reconhecimento, pelas pessoas públicas que são, em todos os estados do Brasil. Para confirmar esse perfil basta acessar o Relatório Final da CPI destinada a apurar denúncias de turismo sexual e exploração sexual de crianças e adolescentes, publicada em junho de 2014.

Será que as lentes com as quais estamos olhando o tema da orientação sexual e identidade de gênero, estão manchadas por juízos equivocados, falsos valores e modelos mentais desatualizados? Será que não conseguimos perceber onde estão as vulnerabilidades à exploração sexual das crianças e adolescentes? Quando iremos perceber que o preconceito e a falta de acolhida das famílias aos jovens LGBT é, que na maioria das vezes, os joga na vala da vulnerabilidade, fazendo muitos deles vítimas das redes de exploração sexual?

Penso que esse tema necessita ser visto com as lentes do amor, da empatia e do respeito. Independente da nossa condição e orientação necessitamos saber acolher os diferentes. Amar apenas aqueles que são iguais a nós pode ser mero egoísmo: Afinal, “ Narciso acha feio o que não é espelho. ” Amar e acolher os diferentes imagino que seja amor genuíno, que nos faz mais gente, que nos permite repensar e reaprender a viver rumo a uma sociedade mais plural e pautada numa cultura de paz, de respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente.

Esse texto expressa uma opinião estritamente pessoal. Trata-se de uma declaração de amor para dizer a essas pessoas que são estigmatizadas e discriminadas por suas orientações, que podem contar com o meu amor e com o meu respeito.

Rogenir Almeida Santos Costa, simplesmente uma cidadã.

domingo, 22 de maio de 2016

MINHAS LEMBRANÇAS JUNINAS EM SANTA TERESA DO PARUÁ


Maio já começa a se despedir para junho chegar cheio de alegria, de cores, de fogos, fogueiras e muitas músicas. Forró (de verdade), baião, toadas, quadrilhas juninas, tambor de crioulas, cacuriá, coco, lelê e tantas outras manifestações deliciosas que fazem deste período o mais gostoso do ano, até por conta das delícias da culinária do período: mingau de milho, canjica, pamonha, pé de moleque, cocadas, bolos de milho, de puba e de macaxeira. Embora, os que mais gosto é os espetinhos de carne.
Hoje, impulsionado por está colaborando em um trabalho de arraial, amanheci saudosista de meus tempos de crianças. Amanheci, neste domingo, ouvindo através de um aplicativo “Vivo Música” no meu celular o LP “Quadrilhas e Marchinhas Juninas” do Mestre Luiz Gonzaga. Quantas lembranças maravilhosas!
A primeira lembrança, na escolha do que ouvir hoje, foi meu querido pai, Raimundo Natividade dos Santos, vulgo Raimundo Juruca (como ele mesmo sempre se apresentava).  Seus domingos pela manhã eram para ouvir Gonzagão e Chorinhos. Outros gêneros ele gostava, mas estes eram suas predileções. A outra lembrança, na verdade, as demais lembranças me vieram ao ouvir as musicas “Fim de Festa”, “Polca Fogueteira”, “Olha pro Céu” (estas instrumentalizadas e a atuação perfeita de sua sanfona, que só faltava falar), “São João na Roça”, “Quero Chá” e, principalmente, “Boi Bumbá” (ê boi, ê boi, ê boi do Ceará. Muié segura os menino que agora vô dançar...). Parece que viajo no tempo, volto às décadas de 1980 e 1990 e estou vendo tudo na minha frente:
O arraial na área ao lado do Mercado ou na área entre a Escola e a Igreja Católica de Santa Terezinha. A quadrilha dos alunos do Colégio Santa Teresa está se apresentando no meio do arraial ao som das músicas acima do velho LP e tocadas no toca discos do sistema de som e alto-falantes (chamávamos de “Voz da Comunidade Católica de Santa Teresa do Paruá”), que eram emprestados para a ocasião. Responsabilidade de montagem, discotecagem e locução eram sempre do Professor Coimbra (meu professor de matemática). A frente da quadrilha estava o nosso querido e animado professor Ir. Reinaldo. Todos vestidos com roubas de matutos, improvisando com outras antigas de suas casas (os orçamentos domésticos não permitiam produções novas como se vê hoje em dia e como as quadrilhas juninas ficaram conhecidas). Bom, Reinaldo normalmente era o padre ou o pai da noiva e “gritava” a principal quadrilha. “BALANCÊ”, “CUMPRIMENTO ÀS DAMAS”, “CUMPRIMENTO AOS CAVALHEIROS”, “GRANDE PASSEIO”, “TÚNEL”, “ANAVAN TUR”, “CAMINHO DA ROÇA”, “OLHA A COBRA”, “É MENTIRA”, “CARACOL”, “DESVIAR”, “GRANDE RODA”, “COROAR DAMAS”, “COROAR CAVALHEIROS”, “DAMAS AO CENTRO”, “GRANDE RODA” e “DESPEDIDA”. Estes eram os 17 passos da quadrilha. Eu criança ficava entretido e emocionado com tudo aquilo. Doidinho para participar. Para aproveitar mais destes momentos eu, algumas vezes, assistia aos ensaios, que sempre eram muito divertidos. As encenas eram um show a parte. De bolar de rir.

Aliás, o pré-festejo era sempre muito divertido e envolvente. A cercadura da arena onde se dançavam já feitas de cercas e arame (não farpados, né? Por favor... rsrsrs) e com o passar dos anos fizeram estruturas de ripas e ano após ano eram montadas na ocasião.
Para decorar o arraial inteiro (leia-se arena) todas as turmas do colégio eram convocadas e seus trabalhos de artes do final de maio e inicio de junho eram para produção de cordão de balões, bandeirinhas e correntes (estes de papel de seda, recortes de revistas antigas ou plásticos – brindes do fumo coringa). As turmas mais avançadas faziam artesanatos de palha como focos, esteiras e abanos, que eles customizavam e transformavam em bois, bonecas de tranças e bonecos.
A divisão das barracas era entres as turmas do colégio a partir da 4ª até a 8ª série (hoje 5º e 9º ano – esta última para arrecadar alguns trocados para ajudar na formatura), Club de Mães, professores e, não tenho bem certeza, mas, algo me diz que o sindicato dos trabalhadores rurais também era contemplado. A construção e decoração eram de responsabilidade dos contemplados com barracas. Sendo assim, lá íamos nós nos reunirmos na escola para discussão das nossas barracas. Cada um levava uma estaca para estruturação da casa e quanto uns tratavam dessa parte, outra parte da galera seguia para o morro, que fica atrás do Alto do Congresso, onde fica ainda hoje a Escola e Igreja Católica, para apanhar olho de palha das palmeiras. Era uma algazarra sem fim sob aquele sol sem fim. Contudo, era gostoso, divertido fazermos algo que a maioria dos pais faziam em seu dia a dia, alguns alunos também, para manter sua família com máximo de dignidade que tudo isso poder proporcionar a quem quer uma vida honesta.
Consigo visualizar as barracas ficando prontas e todos partindo para os trabalhos de decoração, desde então minha hora predileta. Deixar nosso ponto de trabalho bem bonito para receber nossos clientes. Para chegar nesse ponto já passamos pela escolha dos nomes, “Barraca Flor do Sertão” sempre foi presente em tooooodos os arraiais, (pausa para uma gargalhada pela nossa criatividade... KKKKKKKK). Já tínhamos passado também pela divisão dos pratos, ou melhor, pela divisão, de quem iria fornecer o quê para formação do cardápio. Os lá de casa sempre ficávamos com espetinhos de carne (o espeto eram tirados dos gravetos das estacas da cerca do quintal e praticamente esculpíamos na faca) ou com salgadinhos de trigo. Entretanto, o que mais gostava mesmo era de comprar e comer! Ser cliente, para comer mingau de milho, espetinho de carne com refrigerante Geneve, era minha melhor e mais prazerosa contribuição.
Fora as vendas de bebidas de comidas as barracas sempre inventavam outras atrações para atrair clientes e assim melhorar seus faturamentos. Lembro perfeitamente das pescarias da turma da minha irmã Rogenir, da Barba do Velho e da Nega Fulô da turma do meu irmão Rivaldo (desenhados por ele).
Quando arraial e barracas estavam montados e decorados, som montado e testado, Professor Coimbra a postos, público chegando, espetinhos assando, bebidas ainda gelando o festejo mais esperado por mim estava só começando. Não tardaria Gonzagão, Elba, Fagner e até Chiclete com Banana (sim, eles já cantaram músicas junina) animavam nossas noites. Depois viriam as apresentações do Pau de Fita da 2ª Série, das quadrilhas de todas as turmas das escolas da cidade e algumas de cidades vizinhas, resultados de concurso de Rainha Caipira, Grupos de Bumba-meu-boi e apresentações de grupos de danças em geral (inclusive já peguei alguns micos... kkkkkkkk). E quando chegava a hora da quadrilha da 8ª Série o festejo, pra mim, chegava ao ápice.
Foram tempos incríveis, marcantes e inesquecíveis. Época onde, mais que conheci, vivi a cultura de minha terra. Aprendi mais que gostar, ser parte dessa gente que faz a cultura. Dessa forma fui criado e educado. Não há eu (Rivânio, RivAS, Vanico, Vanoco ou Neném) sem festejo junino, sem Gonzaga, sem baião, sem xote, sem xaxado, sem bumba-meu-boi, sem minha gente, sem minha cultura.  E assim, o festejo junino, para mim, tem três representantes básicos e que são responsáveis por parte do que sou hoje: Gonzagão, meu pai e meu professor e amigo Ir. Reinaldo.  

Vejam:
FIM DE FESTA - Popurri Luiz Gonzaga e sua sanfona (Instrumental): https://www.youtube.com/watch?v=QrLg99IeoIE

BOI BUMBÁ – Luiz Gonzaga: https://www.youtube.com/watch?v=tVqFnQ1FCm0

                                                                         
Chiclete com Banana - músicas juninas: https://www.youtube.com/watch?v=ShgloD6YEJI



domingo, 8 de março de 2015

SOS ARAÇAGY E PRAIA DO MEIO

Caros amigos,

Em primeiro lugar quero agradecer a todos que gostam, curtem e compartilham minhas fotos no Instagram e Facebook. Fico muito lisongeado.

Gosto muito de mostrar as coisas bonitas de minha terra, o Maranhão. Contudo, não posso tapar o sol com a peneira... Preciso,  devo compartilhar com vocês as imagens aqui.

Hoje em uma saída para resolver umas questões particulares, que não vêm ao caso, resolvi dar uma volta pelas praias do Meio e Aracagy (até hoje não sei onde termina uma e começa a outra) para limpar a vista vendo belas paisagens. Até vi e já compartilhei com vocês duas fotos.

Mais que a paisagem com mar distante e um céu azul e cheio de nuvens em movimentos, que fotografam bem, algo me chamou a atenção e me chocou. Sai de lá arrasado. Triste. Preocupado!

Preocupado de forma geral. Meteu-o logo à cabeça o degelo das geleiras que estão fazendo subir o nível do mar. Já estamos sentindo as consequências.  Fiquei preocupado com os rumos que nós, seres "humanos", estamos dando à nossa morada Terra... Fiquei preocupado com as famílias que em anos de trabalho investiram em uma casa na praia como recompensa por uma vida de suor, nas famílias que dependem dos trabalhos de alguns de seus componentes nos bares e restaurantes das duas praias... Sai lá preocupado pois tudo isso pode desaparecer. Constatei que tudo isso pode... Ou melhor, está indo por água abaixo. Cada dia a maré sobe mais e com suas ondas, cada vez mais ferozes, está levando o que fora construído para algum fim importante por algum motivo a alguém. Fiquei preocupado pela falta de noção de perigo das consequências em razão das construções feitas sem critério de segurança futura. Fiquei preocupado pela falta de acompanhamento nas construções, o que poderia ser um preventivo.

Estou tremendamente preocupado com os rumos que a região está tomando, pois há nem sinal de que algo está sendo feito para conter o avanço da maré e nem para parar a erosão que segue rumo a algumas casas que estão na parte de cima  da praia.

Chegou a hora das administrações públicas, nas esferas municipal e estadual, unirem força para salvar duas das praias mais queridas pelos residentes e turistas na Ilha de São Luís. É preciso Urgência!!!

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

NÃO É UMA QUESTÃO DE OPÇÃO

Caramba... Esta é uma situação que provoca muita revolta.  Sempre que ouço alguém falar que a questão homoafetiva vem a ser uma "opção sexual"  fico incomodado. Sabe por que não é uma opção? Há vários fatores, mas principalmente por não ser fácil viver de forma aterrorizada.

O terror vem de várias formas, meios e lugares:
- Primeiro pelo medo da reação dos pais e irmãos;
- Depois da reação e falação dos parentes, amigos e vizinhos;
- A seguir o medo do hoje bullying na escola - isso é medonho...
- Então  o medo do desconhecido... De ser apontado... Alvejado por palavras, pedras, tiros... Enfim.

Não bastasse tudo isso... Me vem um candidato a Presidente da República disseminar o ódio. Plantar, aliás, plantar não. Mas, regar, alimentar a ira na cabeça de quem já tem um broto da intolerância no coração, na cabeça e na alma e só quer um empurrão de apoio. Alguém que diga "vai lá... Faz a festa que eu te apoio, você ta certo!  Vamos exterminar um a um".

Minha gente... Daí você vai se depara nos noticiários com uma brutalidade tamanha - vide matéria - por conta de deduzirem dois irmãos abraçados como um casal gay. E se fossem? Nada justifica a proliferação da violência, do medo e da prisão individual dentro de si mesmo. Fazer as pessoa viverem Sem poder viver seu próprio eu. Nem poder ao menos abraçar ou demonstrar um carinho a um amigo, irmão ou pai.

Entendem agora porque a questão homoafetiva não se trata de "opção sexual"?!... Ninguém! Ninguém optaria por viver sob tensão, ódio, medo, terror, violência e morte. 

Acredito até agora que o termo adequado é "condição afetiva/sexual", pois a natureza já nos faz condicionado à ser o que somos e como somos. De outra forma não se funciona perfeita é completamente. Pode-se, em alguns casos, até funcionar, entretanto com deficiência, incompleto.

E acima de tudo, independente do termo, acredito que é preciso que se mude o jeito de pensar e agir. Ninguém é ou pode ser obrigado aceitar ou ser amigos de outra pessoa se pensamos e/ou temos condição de vida divergentes...diferentes. Acredito que TODOS deveriam ao menos RESPEITAR as diferenças individuais. Se não aprendeu a ter respeito através da criação dos pais, que sejam obrigados a praticar o respeito pelos rigores da lei.


Chega de ver se ver tanta violência! Chega de se ter medo! 

#homofolia #violencia #chegadeviolencia #paz #direitoshumanos #queremospaz #criminalizacaodahomofolia

Link da matéria:
http://m.oglobo.globo.com/brasil/abraco-de-irmaos-acaba-em-ataque-homofobico-morte-na-bahia-5330477

segunda-feira, 23 de junho de 2014

A SAUDADE QUE GONZAGÃO ME DÁ

Quando chega o período junino uma musica em especial me faz viajar. Fecho os olhos e vejo as primeiras reuniões em turma para tratarmos do arraial do Colégio Santa Teresa, lá em Santa Teresa do Paruá. À frente de tudo, na maioria das vezes, estava o mais maranhense de todos os baianos, Professor Reinaldo. Sempre muito animado e detalhista em tudo cuidava da construção do arraial, decoração e programação. Além de cuidar pessoalmente da quadrilha da 8ª série (hoje 9º ano) da qual sempre participava. Lembro dele sendo o pai da noiva em um dos anos. Ele era e é hilário. 


Bom, continuando a viagem... Quando estava tudo bem encaminhado íamos, nós alunos mesmo, a partir da 4ª série, buscar olho de palha de babaçu no morro por trás do alto do congresso, onde está localizada a escola. Na volta íamos destacar as palhas que serviriam para fazermos as barracas e alguns acessórios de decoração. 

A distribuição das barracas dependia se o arraial fosse apenas da escola ou se seria em comunhão com as demais escolas. Se fosse todas escolas juntas daí tinha uma divisão de barracas e se fosse apenas da escola cada turma teria uma barraca e seria responsável pela construção e funcionamento das mesmas. Vale lembrar que os lugares para construção dos arraiais eram a área ao lado do mercado ou o largo da igreja católica, na frente do colégio.

Enquanto isso, todos os alunos se voluntariavam a fazer ornamentos para decoração. E dá-lhe bonecas de pano, balaios e abanos de palhas com cara de boneca, bandeirinhas e correntes, estes dois últimos feitos com papeis de revista, jornais e papel de seda. 

Durante os dias de arraiá cada um levava um prato para ser comercializado – o resultado das vendas era para ser usado na escola ou para formatura da 8ª série -. Tinha umas brincadeiras que sempre me deixa encantado a Nega Fulô, a Pescaria e a Barba do Velho. Eu adorava aquela atmosfera junina. 

Sonhava em dançar uma quadrilha, mas não me inscrevia pelo fato de na época ser evangélico. À medida que fui crescendo eu, que era integrante de um grupo de alunos e ex-alunos da minha escola, o Grupo Chama, passei a fazer parte de oficinas de dança e bordados de roupas de bumba meu boi, ministradas por Antônio Carlos Tote e Gersinho, do Boi Barrica, que foram lá a convite desse grupo do qual fazia parte. Isso acabou criando o boi Estrela do Amor, que tinha como cantador o pequeno Edinaldo Costa – um grande poeta. Eu era caboclo de fita e ali começou minha paixão por cultura popular. Para falar a verdade tudo que tinha som de tambor sempre me despertou interesse, me fazendo balançar. Não nego meu pé na senzala, na África. Gosto disso!

Toda a programação me atraia. Quadrilhas, bois, pau de fita, desfiles das rainhas caipiras e as demais apresentações preparadas pelos alunos da escola. 

E como comecei falando em casa durante o ano inteiro era comum ouvirmos Luiz Gonzaga, dentre grandes nomes do cenário musical brasileiro. Intensificando no período junino. No arraia, durante todo o período, volta e meia tocava na radiola e amplificava nos alto-falantes a música “Quero Chá”. Naquela época quando ao longe ouvia seus primeiros acordes já sentia frio na barriga de tanta ansiedade. 

Hoje ao lembrar vejo que essa não é apenas uma música. É sim uma passagem gratuita no tempo da qual me dá muita saudade, aperta o peito e turva minhas vistas, tal e qual como agora. Uma saudade que sinto de meu falecido pai, da minha mãe, que vi ontem, dos meus irmãos em suas férias, dos meus vizinhos e amigos de infância, da minha escola, do mingau de milho – minha paixão – cocada de coco, bolo de fubá – feito pela minha irmã Rogênia – do Refrigerante Geneve em garrafa, pão cheio, bolo de tapioca e do cheiro de churrasquinho de carne no espeto... 

Enfim, boa e salutar saudade de minha casa (leia-se cidade) de um tempo que, mesmo com recursos escassos, éramos felizes e está intrínseco em nossa personalidade. Pois ali aprendemos a importância da comunhão, do respeito mútuo, da coletividade, trabalho em equipe, amizade, fraternidade e do amor ao próximo e à nossa cultura. 

Viva São João!
Viva a cultura brasileira!
Viva a Luiz Gonzaga!
Viva meu pai!
Viva a amizade!
Viva Santa Teresa do Paruá!
E vida a Saudade!

QUERO CHÁ
Compositor: Luíz Gonzaga

Morena eu quero chá, eu quero
Chá, eu quero chá morena bela
Eu quero chá. (bis)

Já, já, já, já morena bela eu
Quero chá. (bis)

Morena eu quero chá, eu quero
Chá, eu quero chá morena velha
Eu quero chá. (bis)

Já, já, já, já morena velha eu
Quero chá. (bis)

Pula, pula moreninha não deixa
O samba esfriar catuca zeca do fole
Para o compasso agitar

Nas tantas da madrugada antes
Da barra quebrar vai depressa
Na cozinha e traz cházim pra
Nós tomar.

Já, já, já, já morena bela eu
Quero chá.